segunda-feira, 14 de junho de 2010

Saindo do armário!



INFORMAÇÕES TÉCNICAS

•Título original: Le Placard
•Lançamento: 2001 (França)
•Direção: Francis Veber
•Produção:Patrice Ledoux
•Elenco: Daniel Auteuil , Gérard Depardieu , Thierry Lhermitte , Michèle Laroque , Michael Aumont
•Duração: 84 min
•Gênero: Comédia

SINOPSE

François Pignon (Daniel Auteuil) é um homem que está divorciado há 2 anos, mas permanece apaixonado pela ex-mulher e preocupado com o filho que não o vê, pois ambos consideram o pai uma pessoa sem graça e desagradável. Para completar o drama, Pignon está prestes a ser demitido. Deprimido com a vida, o homem decide suicidar-se, quando conhece seu novo vizinho, Belone (Michael Aumont), a quem conta sua atual situação. O novo amigo lhe propõe uma solução inusitada para salvar o emprego de Pignon: Enviar ao seu chefe uma fotomontagem onde Pignon aparece com outros homens, o que faria assumir sua homossexualidade. De acordo com o plano de Belone, a empresa não demitirá mais Pignon por medo de que isto provoque o protesto da ala homossexual da sociedade, a quem os produtos da empresa também são voltados (preservativos). Inicialmente relutante, já que não é homossexual, Pignon acaba aceitando o plano e vê sua vida se modificar totalmente após as fotos se tornarem públicas.


MINHA CRÍTICA

O filme “O Closet” pode ser considerado muito útil e interessante, por trazer uma série de temáticas que são essencialmente comuns e constantes em nossa sociedade – nota-se que não apenas no país onde se passa o filme (França). Pignon é uma personagem bastante comum: um homem que enfrenta as dificuldades do mercado de trabalho, ainda que tenha formação específica para o trabalho que desempenha; um homem que não se sente satisfeito com a sua vida pessoal, o que influencia a sua atuação profissional e social; um homem cheio de capacidades e valores que precisam ser estimulados e devidamente orientados; um homem que apenas quer se sentir necessário e completo. Quantos de nós já não tivemos problemas semelhantes?
Depois da proposta de Belone, que tinha experiência como psicólogo de empresas, destaca-se sua fala:
- Continue o homem tímido e discreto, não mude nada. O que vai mudar é o olhar dos outros.
Nesse trecho percebe-se o peso da carga de valores morais que a sociedade carrega em si. A formação do homem bom e útil para o trabalho possui um perfil construído historicamente, e tudo o que não se enquadra nesse perfil é destacado. Pignon se encontrava em uma situação dessas, pois ainda que admitisse gostar muito de seu trabalho, não tinha o perfil sociável, animado e amigável que a empresa procurava em seus trabalhadores. Uma pessoa homossexual poderia modificar tal imagem?
A princípio, pensa-se que isso seria mais um agravante na imagem almejada para o mercado de trabalho. E seria em algum outro caso, se aquela empresa específica não considerasse que o produto que lá é fabricado contempla também o público homossexual, e que tal ato de demissão traria para a empresa uma imagem pejorativa e preconceituosa, prejudicando os lucros pela baixa de clientela.
O objetivo dessas palavras não é tratar a questão da sexualidade, mas sim da escolha. Sabendo que sua imagem poderia ser prejudicada, Pignon foi a fundo, assumiu a farsa da homossexualidade, enfrentou as críticas e consequências e abriu novos caminhos para a sua vida, tanto em aspectos pessoais quanto profissionais. Vê-se sua ascensão social, novas perspectivas de desenvolvimento, e amadurecimento. Será que tudo isso pelo simples fato de ele ser considerado homossexual?
De certa forma, o fato gerou polêmica, curiosidade, preconceito de alguns, respeito de outros. Mas Pignon, como sugeriu e orientou Belone, não mudou a sua personalidade, apenas usufruiu positivamente do interesse dos outros como uma forma de mostrar o seu lado divertido, simpático, sutil, enfim, todas as outras características que não tinham espaço na perspectiva de uma pessoa melancólica, chata e sem graça, como assim o personagem tanto foi taxado.
Enfim, o filme gera essa reflexão de melhoria interior de cada um. Pequenos e sutis conselhos de outra pessoa puderam ver a personagem buscar o que há de melhor em si e se melhorar para melhor. Isso foi reconhecido e valorizado, mesmo após a farsa ser assumida pelo próprio farsante, pois o que ficou foram as coisas boas que ele pôde fazer enquanto utilizava-se de outra imagem.
Recomendo o filme. Devemos nos perguntar mais se estamos satisfeitos com a nossa vida, o nosso trabalho, a nossa vida social, e refletir sobre tudo aquilo que podemos melhorar em nós, e consequentemente modificar o ambiente a nossa volta e as pessoas que conosco convivem. Afinal, quanto de nós ainda não “saiu do armário” para mostrar o que há de melhor em si?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Imunização já!



Foi rapidinho e nem doeu! :D Estamos na campanha de vacinação de pessoas entre os 20 e os 29 anos, até o dia 23 de abril. Não custa nada, vão lá! \o Depois haverá vacina para outras idades.
Consulte o site da Vacina Influenza para maiores informações!

Melhor prevenir do que remediar! Imunização já \o

sábado, 10 de abril de 2010

Depende de você.



Ah Deus, que alarme chato! Só mais cinco minutos.
Hoje to com tanto sono...Vou dar mais dez minutos. Acho que dá pra acordar, me arrumar e comer em trinta minutos.

Essa não! Faltam quinze minutos! Levanto em um pulo, já vou enfiando a roupa, os tênis sujos de tanto andar por aí, corro para lavar o rosto, como sucrilhos (que é mais rápido de preparar), escovo os dentes e vôo. Claro que com isso, esqueci no mínimo três coisas que tinha pensado em levar, antes de dormir.

Ao descer as escadas e sair da portaria, vejo ao longe o meu ônibus passando. Adeus, ônibus...O próximo passa no horário exato em que eu chegarei atrasada e a professora olhará para mim com uma cara desaprovadora. O que eu posso fazer? Tem dias que a gente realmente está mais cansado...

Tudo bem. Acontece. Pelo menos o segundo ônibus é menos lotado do que o primeiro. Desço na parada certa (pelo menos isso!), e ultrapasso um terreno baldio, que é o melhor caminho para chegar logo à faculdade. Hoje está uma manhã daquelas assim, até gostosinha, com uma brisa fresquinha e um sol quentinho de bom. Mas infelizmente não tenho tempo para aproveitar isso. Anda rápido, rápido! Corre! E segura as coisas para nada cair no chão.
Chego à aula e obviamente no meio de alguma explicação importante. Além de interromper o raciocínio da professora, tenho que me informar por aí o que está acontecendo.

Olha só, não que eu seja uma aluna irresponsável e tal, acho que até agora é o que pareceu. Eu sou uma boa aluna, até me considero melhor do que a maioria. Mas como qualquer ser humano, tenho os meus dias bons e ruins. Queria que os professores se lembrassem disso, assim como que eles também os tem. Mas, vamos lá.

Li todos os textos que foram pedidos - ontem, antes de dormir, mas li. Levanto a mão, faço indagações, observações e reflexões. Acredito que se alguém não fizer isso, o professor fica constrangido, deixado na mão, e a coisa não segue adiante. E ninguém absorve nada depois. Mas sim sim, eles adoram pessoas que se interessam. Que se interessam, e não puxam o saco, saibam diferenciar ambas as coisas.

Ai não! Trabalho em grupo. Confesso que tenho certa dificuldade para fazê-lo, e por uma série de motivos. Alguns deles:

1 - Sou extremamente perfeccionista. Quero fazer tudo, os textos, os slides, as fotos dos slides, a maneira de como o trabalho será direcionado, a forma de apresentação, tudo tem que sair perfeito!
2 - As pessoas sabem que eu sou meio workaholic, e por isso mesmo se aproveitam, entram no grupo só para trabalhar menos, ou quem sabe, dependendo do meu dia, nem fazerem trabalho! Eu sei eu sei, tenho que aprender a mudar algumas coisas...Mas não quero contar com quem não faz nada e me prejudicar.
3 - Contato. É TERRÍVEL! Você manda e-mail, tenta ligar, marca encontro, e ninguém aparece. Tem tambem aquelas pessoas que somem por um longo período: o trabalho será apresentado no dia seguinte, e elas te mandam um email entre as 23 horas e 00:00 perguntando "Qual é a minha parte/fala?"

Acho que esses três motivos já disseram muita coisa.
Depois de formar o grupo, troco dados para contato, e ninguém mais quer saber de discutir o que pode ser feito ali no momento. Tem que ser sempre depois. Eu sou minoria, nem adianta me impor. E olha que eu já tentei...
Saio da aula, dou um tempinho folheando um livro. Daqui a pouco começa a próxima aula, e toda essa ladainha se repetirá. O que muda é o professor, e ele tem o poder de transformar uma ladainha em algo bom. Sabe aquela aula que você tem gosto em ir, que tem gosto de fazer as leituras, de discutir, de ouvir o professor falar, exemplificar, ensinar e também aprender ao te ouvir? Essa é a aula que eu terei agora.

Claro, ela foi ótima! Hoje até conseguir deixar a professora sem resposta. Talvez um dia eu faça filosofia...Ou escreva um livro. Quem sabe?
Pausa para o almoço. Cansei do restaurante universitário, da última vez me cobraram quatro refeições que eu não fiz. E a gente pode reclamar o quanto quiser, o sistema bugado deles diz que eu não paguei quatro refeições. E é claro que eu joguei todos os comprovantes fora, quem vai ficar guardando comprovante de pagamento de almoço todo dia?
Tentei levar o marmitex mesmo, diariamente, mas as vezes dá preguiça, falta de tempo ou mesmo falta de comida para levar em casa. Então acabo que nos dias que tenho aula o dia todo, como coisas de lanchonete. Até tento ser mais light, e como um sanduíche natural. E morro de fome depois.
Depois de mais uma aula, arranjo alguma força sobrenatural para chegar em casa, trocar de roupa e sair para correr. E ali, enquanto meus pés batem no chão, e ali, enquanto transpiro, suspiro, respiro, flutuo até o meu inconsciente. Meu dia some. Meus pensamentos se tornam cada vez mais vagos. Não existe tensão, não existe preocupação. Estou em um momento perfeito de harmonia, enquanto meu espírito se eleva e meu corpo se cansa. Termino meu trajeto exausta, e então tomo uma chuveirada bem maravilhosa. Impossível descrever a sensação da água lambendo a pele suada de tanto esforço.
Opa, preciso comer alguma coisa! Preparo algo com carne e salada, e depois pego uma frutinha. Ainda tenho tempo de trocar algumas palavras com as pessoas da casa, falar ao telefone, e por fim, ler os textos do dia seguinte.

E tudo isso se repetirá amanhã novamente!...?

Eu quero mais.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Xô pessimismo!



É tão fácil ser pessimista! E temos a mania besta de tender para esse lado...É bem mais prático pensar que é melhor não se arriscar, que isso não ficou bom, que aquilo não vai dar certo...
Sabe, eu cansei. Cansei de ser pessimista. Cansei de dizer que eu não sou bonita, que eu nem canto tão bem assim, que os meus desenhos nem são tão bons. Cansei de morrer de medo do amanhã. Cansei da minha baixa-estima. Quer saber? Eu sou bonitinha sim, me olho no espelho todos os dias e gosto de me ver depois de fazer cooper, quando o corpo vibra de adrenalina. Eu sou soprano um, adoro cantar Fantasma da Ópera e uma porção de coisas românticas melodiosas, e todo mundo acha que eu canto super bem - mesmo que eu não alcance AINDA aqueeelas notas altas!
Eu desenho bem, talvez não tudo, mas com esforço eu consigo fazer coisas muito bonitas, tanto que prefiro dar aos outros - que os deixa felizes - do que guardar pra mim!
Eu adoro elogios, carinho, até mesmo quando eu chamo atenção de um pedreiro - eles fazem mais felizes o dia daquelas que se sentem um pouco inseguras. Adoro meu cabelo, meus lábios, minha cintura, as sardas que estão começando a aparecer nas minhas bochechas (é a genética da família...)
Tenho uma porção de sequelas femininas, como estrias, celulites, gordurinhas localizadas...Mas querem saber? Eu não me importo mais. Cansei de ter vergonha de tirar a roupa e desfilar de biquini até conseguir chegar ao mar ou à piscina para me esconder. Mostro o que eu tenho, quem gostar gostou, quem não gostar, não posso fazer mais do que eu já faço para me melhorar!
Tenho vários projetos de futuro, me esforço para caramba, nunca fui tão boa com física e matemática, mas me esforcei, me saía super bem com química, biologia, história e filosofia. Não posso dizer que tenho o raciocínio mais rápido de todos, mas chego lá já já. Tenho o meu próprio tempo, leio alguns livros em algumas horas, outros em semanas. Adoro ler livros. Adoro escrever também. E as pessoas gostam do que eu escrevo, e isso me deixa feliz!
O artigo acadêmico que eu terei que escrever esse semestre será um sucesso, assim como o estágio rápido que farei no hospital. Terei muito sucesso com tudo o que eu fizer, e vou alcançar tudo aquilo que está no meu foco, eu acredito nisso, eu vejo isso, eu SINTO isso. E é tãããão bom!
Adeus ao "se", "não", "talvez", "ruim", "feio" em demasia, e olá a um novo eu, um eu mais de bem com a vida!
Carpe diem, e xô pessimismo!!

domingo, 31 de janeiro de 2010

A lição de Veronika.

Eu assisti ao filme "Veronika decide morrer" esse dias.
Apesar de ser um filme estrangeiro, a obra base é do nosso ator brasileiro Paulo Coelho...Ainda não tive a chance de ler o livro, mas depois de vislumbrar a história cinematográfica, com certeza o farei, principalmente porque geralmente os livros são melhores do que os filmes...

Bom, antes de tudo, vou avisando que vou falar de alguns spoilers. Para quem não sabe, spoiler é quando a gente não omite os fatos da história, quando contamos mesmo, então é bom para: curiosos, pessoas que já conhecem a história e pessoas que não se importam em saber antes. Se você se encaixa em qualquer um desses três perfis, fique a vontade! Senão, recomendo ler o livro ou assistir ao filme antes de continuar...Tem sinopse na Wikipédia http://pt.wikipedia.org/wiki/Veronika_decide_morrer e o trailer abaixo:



__________________________

O filme é realmente incrível e intenso...Não achei que me interessaria porque no começo parece ser muito monótono, mas a própria situação é curiosa...Por que ela decide morrer? Por que ela sobrevive? Por que ela vai parar naquela clínica?
O que eu quero chamar atenção aqui é para a lição do filme...Pois o médico que cuidava daquela clínica psiquiátrica disse à Veronika que ela tinha se prejudicado ao tentar se matar e que só iria viver alguns dias...E isso foi apenas uma forma de ele impulsioná-la a viver todos os dias com toda a intensidade de se saber que pode ser o último dia de sua vida...
Será que todos nós precisamos disso? Precisamos saber que vamos morrer em pouco tempo para valor ao que temos, para aproveitar o que não aproveitamos, para fazer da vida a vida imensa que é? Eu vivo dizendo nesse blog: Carpe Diem, carpe diem!!! Você realmente sabe o que significa isso?
Carpe diem significa não deixar que a sua vida seja uma rotina, é dar valor às pequenas coisas mas saber que o novo é o que sempre dá mais brilho ao que já se tem...Que experimentar o inesperado por ser realmente inesperado, que aqueles momentos insanos e maravilhosos que temos devem ser aproveitados como se fossem os últimos, porque com certeza pessoas dariam tudo para ter esses momentos...! E não os fazem porque o medo é maior, maior do que essa forma de encarar a vida, essa forma louca que faz com que a vida pareça sim ter todo o sentido possível!


Dançar e cantar bem alto na rua. Correr até as pernas não aguentarem. Dar adeus aos ônibus e gastar um dia inteiro andando pela cidade. Comer chocolate. Assistir seriados coreanos. Seriados japoneses. Filmes românticos, comédias...Romance em livros! Ficção. Beber Smirnoff Ice. Rebolar e dançar ouvindo Shakira. Comer pão com sorvete. Escrever coisas aleatórias. Fazer desenhos. Seduzir ele. Sorrir para pessoas desconhecidas. Dar abraços apertados. Experimentar receitas novas. Fazer petit gateau! Fazer amor. Comprar uma coisa bem legal pra você sem pensar duas vezes. Tirar fotos. Revelar fotos! Dar flores. Fazer um tour pela sua própria cidade. Olhar todos os livros possíveis da livraria. Presentear pessoas. Ligar para os amigos. Jogar UNO e Imagem & Ação. Sex on the beach mais doce. Baixar todos os filmes nostálgicos pra assistir. Desenhar. Se arrumar. Fazer piquenique debaixo do prédio. Subir em árvores.

Meu Deus! Tantas coisas bobas e...maravilhosas!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Força.

Estava eu agora no centro espírita assistindo palestra e tomando passe. O palestrante falou muito bem, e ainda nos trouxe uma história muito bonita: a história de Louis. Tenho certeza de que algumas pessoas conhecem.

Louis nasceu na França. Seu pai tinha uma loja que frabricava artigos de couro. Certo dia Louis, com seus sete ou oito anos, resolveu ajudar o pai, e tendo em mãos uma sovela, instrumento cortante, caiu e enterrou a ponta do mesmo em um de seus olhos. Mais tarde, uma infecção no outro olho o deixou cego por completo. Com uma bengala, se guiava pela cidade cativando a todos.
Com o tempo, Louis se esqueceu das cores e das formas do mundo. Apesar disso, ainda queria ler vários livros e queria escrever uma porção de coisas, como faziam os amigos da escola. Assim entrou em uma escola para cegos, e aprendeu as formas em relevo das 26 letras do alfabeto. Porém, as letras eram imensas - um pequeno artigo enchia inúmeros livros e cada livro podia pesar cerca de quatro quilos - e era um meio muito caro e desgastante para fabricar peças literárias. Mais tarde Louis tornou-se professor nessa escola, mas ansiava por encontrar um sistema de leitura bem melhorado para os cegos. Como isso poderia ser possível?
Um dia, em visita à sua casa, ele disse a seu pai algo assim: "As pessoas cegas são as mais isoladas do mundo. Eu posso descrever um pássaro distinguindo-o de outro pelo som. Eu posso conhecer a porta de uma casa sentindo-a com a minha mão. Mas há inúmeras coisas que eu não posso ouvir nem sentir. Somente os livros podem libertar os cegos. Mas não há livros para lermos".
Um dia Louis quis aprender a tocar instrumentos, e como todo bom músico, queria ler e escrever partituras e aprender a música simbólica. Nessa fase de sua vida, certo dia estava ele sentado em um restaurante com um amigo, que o ouvia ler, pacientemente, um artigo de um jornal. Este artigo era sobre Charles Barbier, um capitão do Exército, que tinha um sistema de escrever, o qual podia ser usado no escuro. Ele o chamava Escrita da Noite (night-writing), um sistema de pontos e traços construídos no papel para que a pessoa pudesse sentí-lo com seus dedos. É isso! Se um vidente pode ler no escuro, um cego pode ler! Louis procurou o capitão e lhe pediu que o ensinasse o sistema. O Capitão explicou-lhe que usava um punção ou estilete, instrumento com ponta afiada para fazer os furos e tracinhos num papel grosso. Uma pessoa qualquer poderia sentir os furos e traços no outro lado do papel. Certas marcas significavam uma coisa, outras marcas, outras coisas. O instrumento que o capitão usava era do mesmo tipo, que o ferira quando brincava há tantos anos antes.
Louis aperfeiçoou esse sistema mais e mais para utilizá-lo e permitissem que outros pudessem fazê-lo. Estudou diferentes maneiras de fazer os furos e traços sobre o papel. Finalmente, conseguiu um sistema simples, no qual usava seis furos em diferentes posições dentro deste espaço. Ele podia fazer 63 combinações diferentes. Cada combinação indicava uma letra do alfabeto ou uma pequena palavra. Havia também combinações para indicar marcas de pontuação e outras. Assim, Louis escreveu um livro usando o seu novo sistema, que ganhou seu nome: Braille.
O Braille só foi aceito pelo governo francês depois que se aperfeiçoou o suficiente para ter todos os códigos necessários, como matemáticos e musicais, como se vislumbrou em uma pianista cega, que aprendeu perfeitamente com o sistema e encantou uma platéia francesa.
Assim, Louis Braille sentiu e afirmou que sua missão estava concluída, falecendo dois dias depois dessa certeza, aos 43 anos de idade.


[Fonte da história: Leituras Visuais adaptação por mim]

Com essa história, me lembrei de várias coisas. Várias dificuldades que eu passei, várias dificuldades que tantos estão passando no momento. Sabem, o palestrante também disse algo que ficou para mim: "Deus não colocaria um fardo pesado em ombros frágeis". Isso quer dizer que nada, nada, nada do que passamos é porque estamos sendo castigados, é porque estamos sendo punidos e não há mais nada a ser feito.
Podem me chamar de religiosa, de espiritualista, do que for. Eu tenho a minha fé sim, e tenho essa certeza de que não passamos pelas dificuldades por acaso. Fomos destinados a passar por tudo isso, fomos preparados para isso. Não quero falar de Haiti agora, com certeza foi uma tragédia e tanto, mas acho que o Brasil está pensando demais nisso: vamos falar daqui mesmo. Das dificuldades que passa o Nordeste, das mortes e problemas que alguns paulistas tem enfrentado pelas chuvas...Pensemos nessas pessoas antes de olhar para fora. É claro que ajudar é necessário, a caridade é um ponto de partida para a evolução do ser humano. Mas eu tenho certeza de que essas pessoas foram preparadas antes de nascerem para suportarem todas as tragédias de suas vidas, e tenho a certeza de que com essa força, elas dão a volta por cima e conseguem recomeçar.
Eu digo isso porque eu me considero um ótimo exemplo de recomeços. Não vou ficar citando a minha vida pessoal, e não sei até que ponto uma tragédia é uma tragédia, mas vendo a minha vida agora eu vejo o quanto eu sou forte para ter suportado tudo, por ter seguido em frente e estar construindo coisas bonitas hoje, estar sonhando com um mundo melhor, e fazendo alguma coisa para esse sonho se tornar realidade. Eu não sei quais são as missões que me foram reservadas para essa vida, mas quero dar o meu melhor, porque tenho certeza de que tenho toda a força necessária para fazê-lo. Não sei se chegarei a fazer algo como um grande Sistema Braille, mas com certeza plantarei boas sementes e colherei frutos maravilhosos. E te convido a fazer o mesmo... :)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ano 10!


Feliz Ano Novo pessoal!
Não apareci aqui no Natal, e nem mesmo no Ano Novo propriamente dito. Mas diante das circunstâncias da minha terceira estada em Manaus, julgo apropriado estar falando um pouquinho de um novo ano agora.
Retrospectiva 2009? Bem...como já coloquei nos dois anos que passaram nesse blog, aqui quero dizer que foi um ano realmente de amadurecimento para mim, um ano que eu peguei o meu limite de créditos por semestre duas vezes seguidas, dei o meu máximo e estudei em demasia. Confesso que perdi muitas oportunidades, esqueci de fazer outras coisas, me descuidei até um pouco - ainda que tenha tentado correr SEMPRE, mas eu quis dizer em relação a outras coisas. Mas sabem...É tão legal ver o resultado do seu esforço! Ver que as pessoas reconhecem e valorizam isso. Foi dessa forma que fui convidada para ser monitora e bolsista de um Projeto do PIBIC da minha Universidade. Apesar da ralação, estou adorando!
Foi um ano complicado. Gripe Suína, meu Deus! Pessoas paranóicas, até eu! Peguei uma virose e já me desesperei. Mas apesar de tudo, rendi:
Muitos SS's (nota máxima); alguns quilos a menos; novas amizades; uma máquina nova; duas viroses novas e uma vacina contra febre amarela, o que consequentemente soma três imunizações; duas viagens - Ao Rio e à Manaus; muitos trabalhos, muita apredizagem, criatividade, esforço, amor, paciência, fé. Fiquei feliz por dar mais valor até mesmo ao meu lado espiritual...!
Briguei mais por mim, dei o máximo de atenção que eu pude aos outros, dei apoio ao meu namorado, dei o meu melhor!
E é isso que eu quero para um novo ano: dar o meu melhor! Lutar, correr atrás, estudar, e se eu tiver que mudar de novo e de novo, que seja para eu viver, aprender, crescer mais e mais. Quero força, fé, paz, prosperidade, sucesso, felicidade, em tudo que eu fizer, em todos os momentos, mesmo os ruins, para que eu tenha a garra de superá-los!
E como eu sempre digo por aqui, você nasceu para ser feliz, e é isso tudo que eu também te desejo: Carpe Diem! De uma maneira pessoal, espiritual, cognitiva, racional e também emocional, que tenhamos todos um ano 2010 10, literalmente!
Plantem o bem, que os frutos a serem colhidos são imensamente fantásticos!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Pedagogia no Hospital? :O




Coloco um bloco ali. Outro bem aqui. O vermelho vai ficar mais bonito com o verde. Não! Com o azul. Vou fazer um castelo bem grande, porque tem que caber a mamãe, o papai e o Niky, meu super cão!
Uai mãe, que foi?
Eu hein, que doida! Vem aqui e fica pondo a mão na minha testa! Bom, deixa eu voltar a brincar...Vou colocar um árvore bem aqui, pra gente colocar um balanço depois, porque eu gosto de balançar, e também...
Ahhhh de novo? Por que a mamãe vem toda hora e fica fazendo essa cara feia? Não tô gostando disso...Agora, até eu tô me sentindo meio estranho! Que tá acontecendo?
Mamãe veio trocar a minha roupa. Vamos sair? Mas hoje não é fim de semana, o papai não está em casa...Sou puxado pela mão e levado para o carro. Na viagem, minha mãe só fala coisas que eu não entendo. Ela parece preocupada!
Ué...Não conheço esse lugar não! Tenho que ficar esperando num banquinho, e parece que todas as pessoas sentadas nos banquinhos estão tristes. Tem dodói? Onde? No coração ou no corpo?
Agora me levam para um moço estranho. Ele está todo de branco. Nem fala comigo direito! Minha mãe disse pra ele que eu estou com febre há dois dias e ando dormindo muito...O que é febre? Ué, eu durmo muito porque fico cansado de tanto brincar, mãe! Você não sabia?
Agora o moço estranho está colocando uma coisa fria no meu peito, nas minhas costas, outra debaixo do meu braço...E ninguém diz nada! Tô com medo mãe...O que vão fazer comigo?

(...)

Tive tanto medo que não me lembro direito das coisas...Mas muitas pessoas estranhas mexeram comigo, colocaram coisas estranhas em mim, até me furaram! Doeu muito, eu até chorei! Mas ninguém deu bola...E a minha mãe nem me deu comida na hora que eu sempre como, as vezes eu fiquei morrendo de fome, e me deram coisas ruins pra comer ao invés da comida da mamãe...Quero ir pra casa, quero brincar com meus amigos na escola!

Não sei quanto tempo já se passou. Acho que faz muito tempo. Mamãe fica pior a cada dia, com cara de quem está triste e quem dorme pouco. Ela que tá doente! Não sou eu! Aliás, ninguém me explicou até agora o que é que eu tenho...

Estou num quarto feio, todo branco, com uma coisa enfiada no meu braço. Não dói mais, acho que acostumei. Daí olho pra porta, e vejo uma moça sorrindo. Eu não conheço a moça, mas ela parece ser legal. Ela perguntou se podia entrar! Ninguém tinha perguntado!
A moça me falou o seu nome, e perguntou o meu também. Ela falou que não era médica - ufa, que bom! - e disse que gostava muito de criança. Ela perguntou se eu estava bem...Eu falei que sentia muito sono, mas que estava triste, porque a mamãe estava triste, e porque todo mundo faz coisas comigo mas ninguém pergunta como estou me sentindo. A moça sorriu e disse que as pessoas esquecem de me tratar bem porque elas estão trabalhando, e tem muitas pessoas para atender. Mas eu falei pra moça que não estava doente, que queria ir pra casa ficar com o papai e o Niky. Ela riu e disse que eu não parecia doente, perguntou do Nicky e depois disse que sabia porque eu estava ali. Ela me contou que eu estava ali porque um mosquito tipo aqueles pernilongos me picou, aí ele tinha um outro bichinho dentro dele que transmitia uma doença chamada Febre Amarela. Eu já vi na televisão! Disseram que era pra gente tomar vacina, mas a mamãe não me levou...A moça disse que eu só ia precisar ficar lá mais um tempo, para me tratar, mas depois eu ia ficar novinho! Daí ela trouxe e leu uma história pra mim, cheia de imagens coloridas. Adoro histórias com imagens!

Depois desse dia, a moça sempre vinha me ver. Ela levava brinquedos, histórias, e também levava uns exercícios legais para eu responder. Ela me contou que era professora. Legal! Um professor dentro do hospital! Eu fiquei muito feliz, porque estava com saudade da minha escola também. Aí eu aprendi um montão de coisas, e a mamãe também ficou feliz. Será que foi por que eu aprendi, por que eu estava melhorando ou por tudo junto? Acho que foi tudo. Só sei que ela ficou boa, que nem eu! A professora era muito legal, a gente brincava muito e ela me ensinou um monte de coisas. Depois todos os médicos e todas as pessoas do hospital já sabiam meu nome, e estavam felizes porque eu estava melhor. Eu falava com todo mundo! Só que aí disseram que eu já estava bom, e que eu podia ir pra casa.

Eu fiquei tão feliz! Minha casinha, meu pai e minha mãe. O Niky!!! Ahh, vou levar todos os meus desenhos pra ele ver. Mas...e a professora? Ela não vai estar na minha escola. Vou sentir tanta saudade dela! Ela chorou, disse que também vai sentir saudade de mim, e que eu fui um aluno maravilhoso. Na escola, disseram que ia ficar tudo bem porque tudo que eu precisava aprender no tempo que passou, eu aprendi com a professora do hospital. Eu aprendi que toda criança tem o direito de brincar, de aprender e de ter saúde, não importa onde ela esteja!
E tudo voltou como era antes! As vezes ainda fico doente, mas é rapidinho, não demora tanto, mas sempre procuro os professores que fazem as crianças felizes nos hospitais...

(Ilustração de minha autoria ^^ )

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Jogo Lúdico - Como faz?


Ah Deus!
A gente tem mil idéias para escrever...E o tempo?
Fim de semestre é um sufoco, milhares de trabalhos pra fazer, entregar...
Mas um deles eu gostei e detestei simultaneamente de fazer, e gostaria especialmente de compartilhar isso com vocês...

Você já fez um jogo? Reformulando a pergunta, você já fez um jogo lúdico?
Um jogo lúdico é aquele que ao mesmo tempo que diverte também ensina, pois possui em si conteúdos escolares ou mesmo conteúdos aleatórios que nos são úteis para a vida. É ótimo para ser utilizado no momento em que a criança está apresentando dificuldades para compreender alguma matéria, ou para ensinar alguma coisa que com aquela didática tradicional não seria muito eficaz.
E como eu não consegui encontrar nada do tipo no Google, quem sabe quando alguém for produzir um jogo, ache este texto?
Bem, é o seguinte.

1) EMBALAGEM: Um jogo tem que ter uma embalagem bonita, chamativa, mesmo que acabe ficando enorme! Daquelas que quando você aparece segurando, toda e qualquer atividade perde seu sentido e a curiosidade é atiçada a mil! O que é essa caixa bonita? O que tem dentro? Todos querem ver e saber. É interessante fazer algo novo, comprar caixa bonita não é a mesma coisa do que criar uma caixa diferente. No meu caso, eu reciclei uma caixa de papelão, pintei de azul, passei verniz, colei figuras, escrevi o nome do jogo em caixa alta com tinta. Ficou bem legal!

2) MANUAL DE INSTRUÇÃO E DOCUMENTO DE DESCRIÇÃO: Todo jogo precisa de um manual de instruções, que possui breve resumo do jogo, o objetivo, a explicação das regras, a recomendação etária, suas regras e as informações técnicas, que descrevem o jogo - o que ele contém - para que tudo seja contado e não se perca nada.

3) CARACTERÍSTICAS RELACIONADAS AO AMBIENTE EDUCACIONAL: É importante saber se o jogo contribui para a aprendizagem de algum conteúdo escolar ou não, pois é dessa forma que vamos construir algo que tenha como base algum conhecimento específico - No meu caso, o meu jogo se referia ao Corpo Humano.

4) OBJETIVOS: Sempre se pergunte "Eu consegui atingir o objetivo da minha intenção?" Muitas vezes temos uma idéia incrível, mas não conseguimos colocá-la explicitamente na prática, e é por isso que é legal compartilhar as suas idéias com os outros.

5) USABILIDADE E INTERATIVIDADE / PRATICIDADE: É importante que o jogo tenha movimento, que não enjoe fácil, que tenha novidades - sejam dicas, ações, desafios - e que também crie uma interação dinâmica entre as pessoas (que nem Imagem e Ação, tem coisa mais interativa?). Até um jogo de cartas pode ser assim (Vide Uno ou Can Can)!

6) CONTEÚDO / CONCEITOS TRABALHADO (S): Vide itens 3 e 4.

7) VOCABULÁRIO: Lembre-se de fazer o jogo com uma dinâmica e uma linguagem equivalentes à faixa etária pretendida, para que se possa entender e interpretar corretamente as regras, ou mesmo para que não se sinta deslocado.

8) APRESENTAÇÃO: O jogo está apresentável? Chamativo? Tem cores, peças bonitas e bem feitas? É legal também plastificar cartas, manual e tabuleiro, para que o jogo não desgaste fácil. Eu usei aquele papel contact chato, que é um saco pra ficar retinho sem bolhas! O ideal é ter uma régua grande para esticá-lo.

9) DESAFIO PROPORCIONADO: Nos sentimos mais motivados a fazer as coisas quando somos desafiados, quando para atingir uma meta precisamos enfrentar obstáculos; Queremos nos mostrar fortes e dar o nosso melhor, por isso é importante que as coisas realmente sejam maleáveis ao nosso desejo de aventura.

10) ASPECTOS LÚDICOS TRABALHADOS:

De acordo com Freire e Schwartz, o elemento lúdico associado a aspectos afetivos contribui para a aquisição de habilidades específicas, privilegiando não só a construção do conhecimento motor e técnico, mas uma dimensão mais afetiva, criativa e humana. Além disso, o lúdico é capaz de ampliar a gama de possibilidades pedagógicas, ao criar uma diversidade de ações motoras básicas motivadas pela satisfação das expectativas e pelo respeito às limitações e potencialidades. (FREIRE; SCHWARTZ, 2005)

11) ASPECTOS PSICOPEDAGÓGICOS: Querendo ou não, nos expressamos quando temos mais liberdade para nos expor. No caso de um jogo, nos manifestamos de várias formas, seja competitiva, divertida, ou mesmo carente, demostrando o que estamos sentindo naquele momento ou mesmo o que estamos precisando, o que queremos. Um jogo deve nos fazer sentir vontade de jogar, pois nos envolve, nos emociona, nos motiva. Comigo imagem e ação é assim, desde pequenininha me junto com as pessoas que eu gosto e mostro um pouco de quem eu sou, por meio da mímica, ou por meio dos desenhos.

12) RECURSOS: E por fim...Tem que ter dinheiro, porque fazer coisas duráveis, coloridas e chamativas requer material necessário. O meu jogo não ficou tão grande, não tinha tabuleiro mas tinha muitas cartas, moedas, caixinhas, tudo colado, pintado e plastificado! Deve ter me custado uns 50, 60 reais x_x eu usei papel cartão, PVC colorido, cola, tesoura, tinta guache, verniz, pincel, cartolina, figuras...e também dados, lápis, apontadores, envelopes e grampeador. Ainda bem que algumas coisas tinham aqui em casa...


Mas é isso...Se alguém for fazer um...Boa sorte!
É caro, trabalhoso, cansativo, estressante. Mas no final é uma peça produzida por você, fruto do seu esforço e cuidado, algo que as pessoas usarão muito, rirão e construirão lembranças. Valeu a pena! \o/ A partir dessa minha experiência, admiro todos aqueles que fizeram e fazem jogos!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Carpe Diem, de novo e sempre!



Eu sei eu sei, vocês já viram várias e várias vezes eu dizer isso por aqui. Até cansa né?
Mas hoje eu não vim com o intuito bonito de dizer "Aproveitem o dia, a vida de vocês!!", porque venho notado que muitas, muitas, muitas pessoas mesmo exacerbam ao levarem isso mais do que ao pé da letra...
Eu sei que muitos se divertem bebendo todas, se drogando de formas lícitas ou ilícitas, destruindo coisas, roubando coisas, pintando o sete literalmente. Até um dia ouvi uma amiga dizer "É, eles realmente foram além do que quer dizer carpe diem..." Quem eram eles, não é importante. Que bom para eles que eles fizeram algo a partir do ideal de "eu quero aproveitar a minha vida". Tá, talvez não seja tão bom assim, eles podem estar se destruindo gradativamente, ou mesmo prejudicando a outrem...Mas nós temos o livre-arbítrio de definir o que pensamos e agir conforme julgamos certo ou errado.
É por isso que eu apenas queria esclarecer o que EU quero dizer quando uso essa expressão em especial.
Apesar de muitos repudiarem as informações da Wikipédia, ali eu achei o conceito que eu queria. Diz assim:

"Carpe Diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro.

INTERPRETAÇÕES
Os defensores do Carpe Diem defendem que o "espírito" da frase pode ser entendido como aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferece no momento em que elas se apresentam ou ainda "aproveitar a vida e não ficar apenas pensando no futuro".
Outros, dizem que viver o hoje e não se preocupar com o amanhã é um estilo de vida largamente difundido pela mídia e atrelado aos valores do consumismo e materialismo como meios de obtenção do prazer. Jovens são facilmente seduzidos pela ideologia por serem mais apegados à imagem. O dilema que se apresenta a todo indivíduo "viver o hoje ou se preparar para o futuro?" é bipolar e sempre muito controverso principalmente se aplicado aos dias atuais onde a incerteza de estabilidade e segurança é uma constante na vida das pessoas."
Esse trecho foi tirado desse link, e é esse ponto que eu gostaria de ilustrar.
Para mim, aproveitar o dia é realmente colher o que ele tem de bom. É aproveitar o sol lá fora para acordar a vitamina D que já existe no organismo, é aproveitar aquela chuva para lavar a alma ou para ver um filme tomando chocolate quente, é abraçar e beijar todas as pessoas queridas, dizer que as ama, dar presentes sem datas especiais, fazer tudo aquilo que faz bem para o nosso espírito - no meu caso, cantar, ler, ouvir música, desenhar, escrever, compor. Carpe diem é justamente ser, estar, agir e permanecer com a essência que nos torna único, é fazer tudo aquilo que amamos e sonhamos, não ter medo de ser feliz, nos vestirmos como bem entendermos, é fazer carinho mas não ter vergonha de mostrar que você também quer carinho, é buscar em tudo o prazer holístico de viver, plantando e/ou colhendo valores e momentos especiais, é não ter medo de rir, chorar, sorrir, viver. Mas é claro, de forma que não nos prejudique e nem prejudique a ninguém, que nos faça inteiramente bem, que é bom de colher e é bom de usufruir.
Eis a minha opinião. O resto, fica a critério de quem julga...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Conselhos de bem viver



Não sou de postar nada que não seja escrito pelas minhas próprias mãos, mas hoje recebi um e-mail da minha mãe que me fez sorrir, e assim gostaria de partilhá-los com vocês. Como costumo dizer...Carpe Diem :) É a filosofia que eu mais utilizo a cada dia.

Por Maria Sanz Martins

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer à minha neta:
- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado. Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto:
- O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões. E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:
É preciso coragem para ser feliz. Seja valente.
Siga sempre seu coração. Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos. Esse é seu direito e obrigação.
Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.
Tenha poucos e bons amigos. Tenha filhos. Tenha um jardim. Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália. Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos. Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.
Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
Tenha uma vida rica de vida.
Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.
E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável. Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor. Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!
Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você. Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão. É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação. Leia.
Pinte, desenhe, escreva. E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais. Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos. Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.
Era só isso minha querida. Agora é a sua vez. Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte: como vai você?

sábado, 22 de agosto de 2009

Newton e a maçã



Por que a maçã é importante? Vocês acham mesmo que Newton passou a pensar na questão da gravidade porque uma fruta caiu em sua cabeça? Pelo menos foi o que ficou para o senso comum. Talvez esse fato apenas tenha ajudado a impulsionar uma idéia que antes já havia sido pensada e estava passando por um processo de desenvolvimento...
Hoje queria falar sobre um tema que gerou certo debate lá na minha aula de "Ensino de Ciências e Tecnologia I". Percebi que temos uma idéia muito superficial sobre a ciência. Qual é a primeira idéia que vem à sua cabeça quando você pensa em um cientista? Pare, pense, e continue lendo.
Cientistas não são apenas aqueles caras velhos, sérios, de jaleco branco, que ficam em um laboratório cheio de tubos coloridos que soltam fumaça como vemos na mídia. Aliás, você já parou para se perguntar se cientista é profissão? Que eu saiba, não há formação nenhuma com esse nome. Peguei uma boa e velha definição da Wikipédia:

"Um cientista, em um sentido mais amplo, se refere a qualquer pessoa que exerça uma atividade sistemática para obter conhecimento ou um indivíduo que se empenha em atividades e tradições que estão ligadas às escolas de pensamento ou filosofia. Em um sentido mais restrito, cientista refere-se a indivíduos que usam o método científico. A pessoa pode ser um especialisa em uma ou mais áreas da ciência."

Ou seja, cientista é qualquer espécie de pesquisador, alguém que busca tudo aquilo que já foi feito para produzir algo novo, que dê ou seja certo. Isso não faz de algum artista, professor, músico...Pesquisadores, cientistas?
Quando imagino um pintor estudando a melhor técnica, o melhor material, o melhor ambiente e a melhor superfície de pintura, sou capaz de ver ciência.
Quando imagino um músico pesquisando os acordes, as notas, os instrumentos certos, o ritmmo, tentando criar algo novo e diferente, vejo ciência.
Quando vejo um professor fazendo cursos para se aprimorar, participando de pesquisas e tentando buscar soluções, vejo muita ciência. E ainda acham que Educação não tem nada a ver com ciência...

Vejo muita ciência pelo mundo afora. A Wikipédia também diz:

"No seu sentido mais amplo, ciência (do Latim scientia, significando "conhecimento") refere-se a qualquer conhecimento ou prática sistemático. Num sentido mais restrito, ciência refere-se a um sistema de adquirir conhecimento baseado no método científico, assim como ao corpo organizado de conhecimento conseguido através de tal pesquisa."

Mas o que é o método ciênfico? Não é "um conjunto de regras para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes"? Então muita coisa pode ser ciência. E se você pensar em cientistas que conheça, provavelmente serão homens. Não acho que devemos nos ater sempre a "cientificamente testado/comprovado", hoje em dia é tão fácil dizer isso, e todo mundo acredita. Também sou cientista, e estou em busca de muitas coisas novas, estudando e me aprimorando, intuitiva como acredito que muitos cientistas espetaculares sejam e foram! É por isso que eu digo: carpe diem! Experimentem, vivenciem, façam o novo, façam ciência!
Aí sim, verei algum sentido na história de Newton e a maçã.

[Informações adicionais, da Wikipédia também.]

"A história mais popular é a da maçã de Newton. Se por um lado essa história seja mito, o fato é que dela surgiu uma grande oportunidade para se investigar mais sobre a Gravitação Universal. Essa história envolve muito humor e reflexão. Muitas charges sugerem que a maçã bateu realmente na cabeça de Newton, quando este se encontrava num jardim, sentado embaixo de uma macieira, e que seu impacto fez com que, de algum modo, ele ficasse ciente da força da gravidade, como se perguntasse: "por que em vez da maçã flutuar, ela caiu?". A pergunta não era se a gravidade existia, mas se se estenderia tão longe da Terra que poderia também ser a força que prende a Lua à sua órbita. Newton mostrou que se a força diminuísse com o quadrado inverso da distância, poderia então calcular corretamente o período orbital da Lua. Ele supôs ainda que a mesma força seria responsável pelo movimento orbital de outros corpos, criando assim o conceito de "gravitação universal"."

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dias cariocas turbulentos


[Foto tirada no aeroporto Santos Dumont, antes de ir embora. Modifiquei as cores um pouco, estava muito nublado e a foto ficou mórbida em demasia para o meu gosto...]

Saudações, meus caros leitores!
Nossa, quase dois meses inteiros sem escrever nada!
Mil perdões, minha cabeça está a mil, sempre tenho idéias e coisas interessantes para compatilhar, mas eu não as coloco na escrita e elas acabam desaparecendo...
Tive um semestre bastante complicado esse ano, porque foi a primeira vez que eu peguei tantos créditos e tantas matérias na Universidade, que não sabia muito bem como lidar com isso, passei por um sufoco danado, mas...Adorei! Quero fazer de novo. Estudar muito mesmo, essa é a minha profissão, estudante! Ou pelo menos por agora...
Tive férias bastante turbulentas também. Bem, eu tinha escrito todinha para contar, mas acho que acaba ficando meio pessoal (não que meus devaneios já não sejam o bastante), e eu não sei se ficaria tão coerente...
Enfim, apresento-lhes um guia carioca que não recomendo que seja seguido ao pé da letra, mas que comigo até que não trouxe lembranças ruins...

- Almoce no Chaika. O preço é salgado, mas a comida é ótima e as sobremesas, nem se fala! Você só entra naquele lugar por causa da vitrine de doces...E dá pra colecionar os enfeites dos sorvetes...
- Não vá ao Rio Sul. Quer dizer, só se for para almoçar no Chaika, porque eu particularmente acho aquele shopping de rico muito chato, não se tem muito o que fazer por lá...
- Visite o Botafogo Praia Shopping. Principalmente porque aquele lugar tem a StarBucks, que eu adorei! Tem um cinema muito bom e várias opções de besteiras para comer, como as Lojas Americanas, o Frozen Yogurt, Salada de Frutas, e todos aqueles Fast-Foods que vendem as calorias vazias que todo mundo adora.
- Saia com alguém que conheça a cidade. Tudo bem, a Mare não é nenhuma guia turística que sabe de tudo, mas foi super divertido sair com ela :D
- Vá ao shopping da Tijuca. Foi o que eu mais gostei, tinha tanta opção de coisas que me deixava tonta. Pena que não deu tempo pra ir lá de novo...
- Seja expulso da casa da sua avó. Tá, não façam isso, mas não tivemos opção, e foi assim que a aventura começou!
- Tome chuva. Imprevistos acontecem...O porém é que aquela cidade é extremamente úmida, e eu e as minhas irmãs pegamos uma gripe tão forte que pareceu suína...PARECEU, não sejam paranóicos. Ainda estou me recuperando...
- Se hospede em um apart hotel. Bem, tivemos sorte, conhecíamos uma pessoa que morava nesse lugar, que por acaso conhecia uma outra pessoa que alugava quartos no lugar em questão. Eram duas camas, cobertores e toalhas para três pessoas, uma televisão que não mudava de canal, um banheiro sem papel higiênico ou sabonete...Mas, nos viramos! Pelo menos lá tinha internet de graça, academia, piscina e sauna. Juntamos as duas camas e pronto, maior que uma king size. Televisão não é útil. O resto é comprável.
- Se jogue no mundo. Saia andando sem rumo mesmo. Foi assim que eu e a minha irmã Lillian descobrimos a imensidão que é aquela Copacabana, o tanto de programas e opções, aonde se pega ônibus e que ônibus se deve pegar para aonde, a estação de metrô, as padarias, supermercados, a praia...
- Ah, a praia. Isso é algo que com toda a confusão em que me meti não pude aproveitar da maneira que queria (me jogando completamente na água), principalmente porque o clima também não estava favorável. Mas tive duas oportunidades para andar sobre a areia e deixar as ondas molharem as minhas pernas...E sentar na areia enquanto observava as ondas se formarem, se chocarem, somarem, anularem. Ah, eu poderia ficar olhando aquela dança eternamente...



- Olhe os turistas estrangeiros. Eles são engraçados, porque estão tão perdidos quanto você, só que falam outra língua, o que os torna mais diferentes ainda.


[Esse oriental passou horas parado no mesmo lugar, sujando a mochila de areia e tirando fotos seguidas das mesmas direções...]

- Pegue ônibus e metrôs. O metrô de lá realmente é grande, pelo menos comparado ao da minha cidade. Pegando um ônibus, passeei o Rio todo e fui parar lá na Barra, tendo a chance de conhecer o shopping do próximo tópico.
- Visite o Barra Shopping. Lá é o point da galera, nunca vi lugar maior, eu me perdi lá dentro e consegui contar pelo menos umas três praças de alimentação diferentes!
- Visite o New York. É um shopping que fica ao lado do Barra Shopping. Não sei se é uma extensão, se alguém quiser complementar fique a vontade, mas sei que é um outro lugar, e que você pode ter acesso andando pelo próprio Barra Shopping. O New York tem o maior cinema que eu já vi na minha vida, com não sei quantas milhões de salas. E sim, também tem uma estátua da liberdade.
- Coma tudo o que for novo. Isso é o legal de ir para lugares novos, tem várias coisas que não tem aonde você mora. E em cidade grande, tem muuuuuuuita opção, fiquei impressionada!

Bem, tinha que fechar falando de comida, no momento não consigo pensar em mais nada que eu tenha feito de interessante. Foi uma viagem rápida, só durou uma semana, mas o suficiente para se construir lembranças diferentes e no fim, boas. E não tem nem como esquecer...
Mas Rio de Janeiro é Rio de Janeiro...Ainda terei muito o que contar de lá! Eu sei eu sei, vocês devem estar pensando por que eu não falei dos Parques, do Pão de Açúcar, do Cristo, do Lago, mas é que todo mundo fala deles, então quis adicionar outras complementariedades.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Limites.



Por que tudo precisa ter limites? Quem foi que disse isso?

Eu acredito que os limites são impostos por nós mesmos, diante da aprendizagem.
Precisamos viver, precisamos fazer coisas erradas também, porque só aí teremos tido a vivência de um dia proclamar algo com algum limite, de saber que é errado ou que tem um nível máximo de equilíbrio. E quem disse que as coisas são erradas?
Somos nós que devemos distinguir na vida o que consideramos certo e errado, o que nos faz bem e o que não nos faz. "Coitada daquela menina, se acabando no mundo das drogas!" Quem sou eu para dizer que ela está errada se ela se sente tão bem fazendo aquilo? Talvez um dia ela pare para olhar as consequências de seus atos e possa impor limites e julgar que é errado.
O que eu quero dizer é que existem muitas pessoas ignorantes e teimosas nesse mundo. "Eu penso assim!" e pronto, e não é assim que a vida funciona, somos fruto de nossa vivência, é com ela que vivemos, erramos e aprendemos. Mas sobretudo, é preciso que vivamos, é preciso que colhamos tudo aquilo que plantarmos, sejam bons ou maus frutos, pois é apenas com esse plantio que estaremos preparados para fazer uma plantação fértil e farta amanhã.
É claro que a palavra dos sábios é importante. Mas quem é mais sábio senão aquele que já possui todas as experiências possíveis para julgar? Acho extremamente essencial que os mais velhos nos contem sobre suas vidas, nos contem sobre o que aprenderam, nos influenciem e nos indiquem caminhos. Mas não venham ordenar, prender, subjulgar. Somos pessoas e temos a capacidade e potencialidade para traçar o nosso próprio caminho. Não quero ordens e limites, quero apoio e quero compartilhar.
Dar a mão é muito mais eficaz do que segurar uma mão a força. Ajudar e apoiar é diferente de negligenciar, punir e negar.
Somos todos seres humanos e, como tais, nascemos com a liberdade de escolha, o livre-arbítrio da vida.


_______________

Tá, pode nem ser o que eu realmente penso, pode ser só momento ou sentimento, assim são os devaneios...Não se pode liberar geral para uma criança né, mas se pode deixá-la experimentar o mundo guiando-a com o nosso apoio!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Inclusão



Hoje eu tive uma aula muito legal sobre a Educação Inclusiva.
Muitas coisas importantes foram colocadas ali. Quando a gente pensa em Inclusão, já vem na cabeça pessoas deficientes e incapazes. Mas na verdade, a inclusão acolhe quaisquer pessoas que sejam diferentes, seja lá que tipo de diferença for. E não é pegar e colocar essas pessoas com necessidades educacionais especiais em uma sala, isolados e excluídos da vida social, reforçando a sua diferença. É incluir ao grupo social, não para que haja igualdade, porque isso é impossível, uma pessoa com deficiência mental pode precisar de uma semana para entender o que outra pessoa entende em uma hora ou menos. Mas sim para que possamos exercer o nosso direito de escolha, a escolha de estar ali, de aprender aquilo, de conviver com as pessoas. Todos, sem exceção nenhuma, temos o nosso livre arbítrio.
Outra coisa que me chamou muita atenção foi o fato da professora que deu essa aula transmitir em cada ato, cada gesto e cada palavra o seu amor ao trabalho, a vida para educar, e não educar para a vida. Ela estava contando que seu marido trabalha com tecnologia e não consegue compreender como ela se sente tão bem imersa em afazeres exaustivos como dar aula, mas ela respalda que gosta do calor humano, gosta de pessoas e gosta de trabalhar com elas, sempre e indiscutivelmente respeitando suas diferenças.
No fim da aula, um colega nos deixou um depoimento. Ele era amigo de um homem com uma deficiência mental que agora não me lembro, pois não foi esse fato que me chamou a atenção. A primeira coisa que esse colega disse foi a sua primeira impressão desse amigo. "Nossa, esse cara vai mesmo estudar comigo?" Mas ele disse que aos poucos, foi se aproximando dessa pessoa, e descobriu um mundo fantástico, descobriu uma pessoa extremamente inteligente, que via no mundo coisas que poucos enxergam. Mas parece que essa pessoa começou a regredir, seu problema se agravou e ela foi enfraquecendo. Acho que quase todos os olhos daquela sala de aula transbordavam de lágrimas com esse depoimento, inclusive o do relator, emocionado pela amizade profunda e sincera que mantinha com o amigo. O amigo já não podia ir às aulas, a mãe forte e dedicada ia por ele para fazer as anotações, e o nosso colega ia em sua casa para passar as matérias perdidas.
Nisso tudo, o que me chamou a atenção foi o amor. O amor que foi cultivado por essa amizade que não acabou mesmo com o fim material que teve. Como é importante amar o outro.
A professora hoje falou algo certo: É inacreditável que ainda falemos de respeito, pois é um princípio tão primordial que todos deveriam cultivar e manter. Eu tenho certeza que ninguém nesse mundo é feito de mal, o respeito é importante, e amar o próximo, muito mais.
Aí nessa hora eu me lembro sobre aquela frasezinha que um dia um ser muito amado e evoluído disse "Amai-vos uns aos outros como a ti mesmo", e essa mensagem que eu quero deixar para vocês. Não amar os outros como nos amamos, mas amar os outros e amar a nós mesmos, pois nós temos esse amor dentro de nós, e somos tão maravilhosos quanto imaginamos, e merecemos viver essa vida de provas e espiações plenamente, como todos os seres deste mundo.
A inclusão é o momento de mudar aquilo que está posto, e não adianta apenas julgarmos a sociedade, pois falar de sociedade é também falar de nós mesmos. Façamos a nossa parte, todos merecem a vida, e todos merecem condição para viver essa vida.

terça-feira, 28 de abril de 2009

No stress!



Por que é tão difícil nos satisfazermos? Sempre estamos querendo mais e mais e mais...
Não, isso não é uma crítica, a menos que seja também uma auto-crítica.
Estamos sempre tão preocupados com o que vamos fazer hoje, amanhã, com nosso trabalho, nossos estudos, as coisas pendentes que precisamos resolver, as dívidas...Meu Deus! Respirem! Quando nos damos conta, estamos estressados, se irritando com a formiga que apareceu na mesa, com a gota d'água que caiu em nós, com qualquer coisa fútil! E sabem o que acontece? Deixamos passar um monte de coisas importantes, deixamos de ver aquelas pessoas que gostamos, de ligar para elas, de falar com elas, de sair com elas, de compartilhar a vida com elas. Amigos, família, namorado, namorada, igreja, seita, templo, comunhão, seja lá o que for, não conseguimos aproveitar nada direito, não temos saco!
É...é aí que se instala o stress,o resultado de uma reação que o nosso organismo tem quando estimulado por fatores externos desfavoráveis. A primeira coisa que acontece com o nosso organismo nestas circunstâncias é uma descarga de adrenalina, e os órgãos que mais sentem são o aparelho circulatório e o respiratório - Eita, e daí depois acham estranho os jovens terem enfartos e um monte de problemas que antigamente só os velhos tinham!
Eu sei eu sei, estamos em uma sociedade complexa, capitalista e industrial, vivemos na era de consumismo e destruição do planeta, estamos sempre com pressa, sempre ocupados, sempre cansados.

CHEGA!
Eu quero paz! Quero fazer as coisas porque eu gosto de fazer, quero estudar e me acabar porque eu gosto e quero construir alguma coisa, quero malhar no tempo extra porque me sinto mais saudável e até mais bonita, quero me cuidar mesmo, ou me descuidar até cansar e descansar muitão pra me sentir revigorada! Quero abraçar e falar com todo mundo, quero amar muito aquele homem, e deixá-lo muito feliz! Quero me sentir feliz, porque apesar de tudo, tenho certeza de que sou!
Eu ando brigando demais, chorando demais. Estou com saudade do meu pai, da minha irmã, do passado, de um futuro que ainda não veio. Fico cansada e desconto no meu namorado, na minha família, e nem consigo ver meus amigos direito. Aí eu choro, choro, me irrito com coisas tão pequenas! Ahhh, quero férias. E elas só vem e julho. x_x E eu sei que não sou a única na face da terra a me sentir assim, por isso estou falando essas asneiras aleatórias.
Tudo bem, eu não vou deixar de fazer o que eu preciso fazer e nem vou fazer com menos empenho, porque se eu peguei um bando de matéria, eu vou fazê-las direitinho e atingir o meu objetivo inicial. E não me importo em ter que acordar cedo para poder malhar, ou só malhar à noite quando chego cansada, e nem ter que esperar meu namorado entrar logo na universidade para ficar mais fácil encontrá-lo. Eu vou conseguir o que eu quero, vou me esforçar para dar a atenção que eu puder para ele, para minha família e para os meus amigos, que estão tão longe de mim com suas rotinas.

Eu nem lembro mais o que eu tinha na cabeça quando comecei a escrever isso aqui, mas estou me sentindo muito melhor. Agora vou respirar fundo, beber água para cumprir a minha meta de sempre manter 2 litros de água dentro de mim por dia, cumprimentar desconhecidos, abraçar a família que esquece de me abraçar e dar o meu melhor para aproveitar essa vida.

Carpe Diem, gentem :) No Stress! Hum, bom título...

quinta-feira, 19 de março de 2009


Tenho escrito tão pouco, não é?
A vida corre, e nós corremos com ela por aí...
Minhas aulas na Universidade começaram. Lutei muito para conseguir todas as matérias que eu queria, são oito no total, o que me totalizam 32 créditos (que e o máximo permitido), ou seja, estarei bem ocupada de agora em diante, mas sempre trazendo algum devaneio quando possível, claro!

A gente às vezes não pensa nas coisas, né? Age no impulso mesmo, naquilo que está sentindo na hora, e quando vai ver...Já foi feito, e não dá pra fazer de novo.
Ultimamente tenho feito tantas coisas que ao mesmo tempo que a minha cabeça se encha delas, parece que nada fica, nada se organiza...
Eita confusão de pensamento! Aí quando a gente vai conversar com os outros, fala qualquer coisa ou age de qualquer jeito, e quando se dá conta...Machucou alguém, machucou a si mesmo. É...Limite. Temos de respeitar nossos limites, senão não damos conta não.
Eu acho que acabo assim me distanciando de muitas coisas e pessoas...E não é intenção, juro! Mas quase todo dia tem texto pra ler, trabalho pra fazer, e o pior é que sempre aparece um amigo com algo engordativo pra se comer, e mesmo assim mantenho sempre que possível meios para manter a forma física, fazendo ginástica aberta para o público à noite ou acordando bem cedinho pra fazer um cooper antes de começar o dia...Mas não é o suficiente ainda. Eu sei que não é, mas fico tão cansada!
Me desculpe por ser grossa ao telefone, por brigar por besteira, por ficar aérea, por não ligar, por esquecer ou por ter preguiça. Eu devia me esforçar para esperar mais, para prestar mais atenção, para dar mais bola...Eu devia.
Estou fazendo o melhor que eu posso, juro!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Auto-Homenagem



Por que não me homenagear? Depois de tanto lutar para vencer toda a minha complexidade, acho que é hora de dar valor à minha pessoa. E este devaneio é dedicado a mim, que sei o quanto cresceu na vida, o quanto tem beleza, tem vida, tem amor pra dar!
Amanhã completo dezenove anos de vida. Dezenove anos desta vida, desta existência que sei que tanto já fez diferença! E como ainda vai fazer!
Por isso, lanço aos céus as minhas energias mais límpidas e resplandescentes, para que eu possa sempre progredir mais e mais, para que eu seja sempre firme e forte, que lute pela vida, que viva a vida, que aproveite cada oportunidade.
Gostaria muito de agradecer à todas as pessoas que fazem parte da minha vida - até mesmo você, porque se está lendo isto aqui, já se inclui automaticamente ao que sou. Muito obrigada a todos os meus amigos que gostam de mim e se importam de verdade; à minha maravilhosa família, que me dá apoio incondicional; ao meu querido namorado, que me ama e que só quer o meu bem; enfim, à todas as pessoas que comigo convivem, muito obrigada!
Me sinto plenamente feliz, e assim quero levar toda essa vida.
Quero crescer muito ainda, aprender muito mesmo, ler muito, escrever muito, cantar muito, desenhar muito. Quero ver mais minha irmã Lillian e caminhar muitão com ela, porque a gente adora, quero abraçar todo mundo, quero ajudar, quero fazer alguma coisa.
E sei que consigo! Porque sou capaz de analisar e perceber a minha capacidade, sei que sou madura pra muitas coisas, sei que preciso amadurecer para muitas outras, e por isso sigo em frente, sempre com um sorriso no rosto.

Parabéns para mim! :)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Guia Manauense.



(Ponta Negra, hotel Tropical)

Lá estava eu em Manaus...As pessoas acham que nem se tem tanto o que fazer, por isso resolvi deixar uma listinha para caso alguém queira visistar a cidade algum dia:

Coisas para se fazer em umas férias alucinantes na cidade de Manaus:
- Descer 15 andares de escada em um prédio sem energia; - Tá bom, não precisam fazer isso, mas foi divertido =x !
- Comer em rodízios de pizza [ Meu Deus, nunca vi melhores! ]
- Ir à cidade do Rio Preto da Eva, que fica pertinho de Manaus, para tomar o famoso café regional da Priscila (a maior tapioca que eu já vi!) - além de visitar uma reserva indígena (Beija-Flor) e conhecer o Cristo Amazonense;
- Conhecer algumas plantas do nosso país, como a orquídea da Amazônia e o urucum, essa usada pelos indígenas para pintar a face e os corpos;
- Visitar o Hotel Tropical, o mais chique da cidade, onde os artistas e pessoas importantes se hospedam; Lá há um pequeno zoológico, com várias atrações animais!
- Fazer as trilhas do INPA (Instituto de Pesquisas Amazônicas) e conhecer um monte de animais, como o peixe-boi, a cutia, as enormes tartarugas, os poraquês...
- Passear pelo centro da cidade, visitando as antigas escolas, igrejas, museus, o Porto (eu vi o maior transatlântico da minha vida!);
- Tomar um enorme e delicioso suco na "Skinna dos Sucos" no centro da cidade, onde há o melhor pão com tucumã e queijo coalho; Aliás, o pão com tucumã é um prato regional, a primeira vez nem tem tanta graça, mas vicia!
- Ir à Ponta Negra, onde tem praia e várias atrações;
- Lanchar na padaria "Pãozinho"
- Fazer o famoso passeio de barco para ver o encontro dos Rios Negro e Solimões; *
- Ir à praia da Lua de voadeira, para tomar um solzinho e nadar no Rio Negro (a água é uma delícia!)
- Visitar a cidade Presidente Figueiredo, que guarda consigo as mais belas cachoeiras;

- Assistir espetáculos e/ou atrações no famoso Teatro Amazonas, que fica no centro da cidade - belíssimo durante o dia, fantástico à noite;



- Comer Pirarucú e Tambaqui com baião de dois!

- Experimentar frutas regionais, como o tucumã, rambutã e pupunha;



(Rambutã - Tem gosto de uva!)



Observação: A maioria dos tópicos citados foram experiências próprias, por isso muito bem recomendadas.
* Recomendação da população manauense;

Bem, isso é o que conclui uma brasiliense...Se algum manauense quiser acrescentar alguma coisa, que seja bem-vindo!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Como você mudou!



Muitas vezes ouvimos as pessoas falarem "Nossa, você não mudou nada!" ou "Como você está diferente..."
Estava pensando sobre isso esses dias. Eu lembro da minha infância e da minha adolescência com muitas coisas que já não são mais as mesmas, e é bom ver como eu mudei para melhor em várias delas. Minha mãe estava falando esses dias que eu era muito chata, não queria comer vegetais e legumes (tirando brócolis, que eu sempre amei), e que dava um trabalhão para ela, e hoje eu pareço com ela, porque sou apaixonada por saladas em geral - Se fosse um pouquinho mais proteico, dava até para viver disso...
Eu fui uma criança um pouco atípica. Naquela época, meus coleguinhas de sala não tinham pais separados, o que já era um motivo para eu me sentir exclusa da maioria. Minha história de vida teve muitas separações e problemas de família, que me abalaram de uma forma incomensurável. Se não fossem pelos problemas que eu passei, não seria a pessoa que me tornei hoje em dia. Lembro que haviam coisas terríveis, que eu chorava e sofria como se estivesse próxima de meu perecer. Mas não deixava de ser criança, gostava de brincar - tinha poucos amigos, mas sempre dei muito mérito e confiança a eles, minhas amizades sempre foram uma verdadeira entrega da minha parte, de tudo que eu sou e de tudo que eu penso. Gostava muito de conversar com as pessoas mais velhas também (ainda faço disto um hábito), porque sempre me interessava as experiências diferentes que elas tinham. Gostava de subir em árvores, (hoje eu já fico com medo das cigarras e formigas que estão nela...)e grudar as cascas de cigarra na blusa para tentar abraçar e amedrontar os outros. Uma coisa em especial que mudou completamente era a minha extroversão. Eu adorava cantar e dançar para os outros, me sentia a estrela, não tinha a menor vergonha de mostrar que eu queria ser cantora e atriz (minhas tias morriam de rir!). Sempre conservei minha voz, e realmente quem canta seus males espanta, mas hoje em dia fico completamente sem graça de sair cantando por aí - mas sempre sinto uma pontadinha de vaidade, de vontade de cantar e mostrar para as pessoas a minha voz. Hoje sou cantora de chuveiro, e faço uns showzinhos particulares para as pessoas que me dão corda...
Quando estava no início da minha adolescência, passei por aquela fase - aquela fase, terrível fase - depressão, baixa-estima, tristeza, me sentia indisposta, feia, gordinha, achava que nunca iria ser ninguém, que não tinha nada de bom, que jamais conseguiria arranjar namorado! (Pelo menos nunca tive problemas com espinhas...)
É até meio gozado lembrar de mim mesma com treze anos. Às vezes dava uma tristeza, uma solidão, mas eu não queria sair dela. Me escondia dos amigos pela escola, pra ficar sozinha, "curtindo a tristeza" como diz meu pai. É, eu até gostava. Lembro que minha madrasta me via descer da combe com a cabeça baixa, sem falar com ninguém, sem ter interesse por nada. Me trancava no quarto e me escondia no meu mundinho virtual, de mIRC,ICQ e desenhos japoneses. Devorava dois pacotes de biscoitos Break Up, comia dois pães na chapa com manteiga e mel, e sabe-se lá quantas mais besteiras. Não tinha muito ânimo para sair - a não ser quando havia uma amiga preocupada e persistente (como a grande Rayssa), que insistia nos convites e estava sempre por ali para puxar o meu pé. Se não fosse por ela, não teria lembranças agradáveis e engraçadíssimas dessa época..
Foi difícil largar meu vício de computador e de pessimismo. Eu sempre dizia "Ah, nem cantei tão bem", "Esse meu desenho nem ficou tão bom", "Essa roupa fica feia em mim", "Ele nunca vai me dar bola", e me escondia por trás das telas, porque ali ninguém se importava muito se eu era ou não perfeita, só queriam conversar, como eu. Mas dali também tirei bons proveitos, tenho amigos que moram em outros lugares até hoje, mando cartas, em alguma ocasião nos vemos, e sempre mantemos algum contato (Né Giu?)
No Ensino Médio eu entrei em uma academia, e gostei de malhar, mas ainda não era aquilo, queria fazer algo por mim mesma, e meu cooper só foi descoberto mais pelo meu terceiro ano. Fiz o segundo grau em uma só escola, por isso construí grandes amizades, e vivi dias felizes e memoráveis. Aos poucos fui construindo meus objetivos, meus ideais, meus sonhos. Me fortaleci, aprendi a me enxergar, me aceitar, me gostar. Foi difícil hein!? Mas deu certo.
Hoje, acordo com o mesmo desejo todos os dias: quero que meu dia seja produtivo. Como coisas saudáveis (porque assim escolhi, e descobri que eu realmente gosto dessas coisas integrais e naturais - não que eu também não seja louca por um chocolate), preciso me movimentar, correr, malhar, caminhar, passear, quero ver pessoas, amigos, namorado, família, quero me cuidar, quero sorrir o tempo todo. Raramente, ainda tenho alguns declínios de solidão, mas aos poucos tento transformá-la em solitude. Tenho meus dias ruins, que acordo querendo chorar até não poder mais, impaciente e indecisa. Mas é normal - agora é normal. Sou só uma pessoa feliz, que pula, dança, corre, tropeça, levanta e começa tudo de novo.
E tenho orgulho de olhar para trás e pensar "Nossa, como eu mudei!"