segunda-feira, 14 de junho de 2010

Saindo do armário!



INFORMAÇÕES TÉCNICAS

•Título original: Le Placard
•Lançamento: 2001 (França)
•Direção: Francis Veber
•Produção:Patrice Ledoux
•Elenco: Daniel Auteuil , Gérard Depardieu , Thierry Lhermitte , Michèle Laroque , Michael Aumont
•Duração: 84 min
•Gênero: Comédia

SINOPSE

François Pignon (Daniel Auteuil) é um homem que está divorciado há 2 anos, mas permanece apaixonado pela ex-mulher e preocupado com o filho que não o vê, pois ambos consideram o pai uma pessoa sem graça e desagradável. Para completar o drama, Pignon está prestes a ser demitido. Deprimido com a vida, o homem decide suicidar-se, quando conhece seu novo vizinho, Belone (Michael Aumont), a quem conta sua atual situação. O novo amigo lhe propõe uma solução inusitada para salvar o emprego de Pignon: Enviar ao seu chefe uma fotomontagem onde Pignon aparece com outros homens, o que faria assumir sua homossexualidade. De acordo com o plano de Belone, a empresa não demitirá mais Pignon por medo de que isto provoque o protesto da ala homossexual da sociedade, a quem os produtos da empresa também são voltados (preservativos). Inicialmente relutante, já que não é homossexual, Pignon acaba aceitando o plano e vê sua vida se modificar totalmente após as fotos se tornarem públicas.


MINHA CRÍTICA

O filme “O Closet” pode ser considerado muito útil e interessante, por trazer uma série de temáticas que são essencialmente comuns e constantes em nossa sociedade – nota-se que não apenas no país onde se passa o filme (França). Pignon é uma personagem bastante comum: um homem que enfrenta as dificuldades do mercado de trabalho, ainda que tenha formação específica para o trabalho que desempenha; um homem que não se sente satisfeito com a sua vida pessoal, o que influencia a sua atuação profissional e social; um homem cheio de capacidades e valores que precisam ser estimulados e devidamente orientados; um homem que apenas quer se sentir necessário e completo. Quantos de nós já não tivemos problemas semelhantes?
Depois da proposta de Belone, que tinha experiência como psicólogo de empresas, destaca-se sua fala:
- Continue o homem tímido e discreto, não mude nada. O que vai mudar é o olhar dos outros.
Nesse trecho percebe-se o peso da carga de valores morais que a sociedade carrega em si. A formação do homem bom e útil para o trabalho possui um perfil construído historicamente, e tudo o que não se enquadra nesse perfil é destacado. Pignon se encontrava em uma situação dessas, pois ainda que admitisse gostar muito de seu trabalho, não tinha o perfil sociável, animado e amigável que a empresa procurava em seus trabalhadores. Uma pessoa homossexual poderia modificar tal imagem?
A princípio, pensa-se que isso seria mais um agravante na imagem almejada para o mercado de trabalho. E seria em algum outro caso, se aquela empresa específica não considerasse que o produto que lá é fabricado contempla também o público homossexual, e que tal ato de demissão traria para a empresa uma imagem pejorativa e preconceituosa, prejudicando os lucros pela baixa de clientela.
O objetivo dessas palavras não é tratar a questão da sexualidade, mas sim da escolha. Sabendo que sua imagem poderia ser prejudicada, Pignon foi a fundo, assumiu a farsa da homossexualidade, enfrentou as críticas e consequências e abriu novos caminhos para a sua vida, tanto em aspectos pessoais quanto profissionais. Vê-se sua ascensão social, novas perspectivas de desenvolvimento, e amadurecimento. Será que tudo isso pelo simples fato de ele ser considerado homossexual?
De certa forma, o fato gerou polêmica, curiosidade, preconceito de alguns, respeito de outros. Mas Pignon, como sugeriu e orientou Belone, não mudou a sua personalidade, apenas usufruiu positivamente do interesse dos outros como uma forma de mostrar o seu lado divertido, simpático, sutil, enfim, todas as outras características que não tinham espaço na perspectiva de uma pessoa melancólica, chata e sem graça, como assim o personagem tanto foi taxado.
Enfim, o filme gera essa reflexão de melhoria interior de cada um. Pequenos e sutis conselhos de outra pessoa puderam ver a personagem buscar o que há de melhor em si e se melhorar para melhor. Isso foi reconhecido e valorizado, mesmo após a farsa ser assumida pelo próprio farsante, pois o que ficou foram as coisas boas que ele pôde fazer enquanto utilizava-se de outra imagem.
Recomendo o filme. Devemos nos perguntar mais se estamos satisfeitos com a nossa vida, o nosso trabalho, a nossa vida social, e refletir sobre tudo aquilo que podemos melhorar em nós, e consequentemente modificar o ambiente a nossa volta e as pessoas que conosco convivem. Afinal, quanto de nós ainda não “saiu do armário” para mostrar o que há de melhor em si?

2 comentários:

Luiz Cezar Marinho disse...

Minhas alunas fizeram um trabalho sobre mercado d etrabalho usando esse filme.
Realmente gostei muito por trabalhar um contexto tão fundamental. e atual.
Continue compartilhando seus filmes conoco.
beijinhos

Paty Augusto disse...

Gostei da sugestão... Vou assistir, vai ser bom ver algo fora de Hollywood para variar...
Beijos!!!